sábado, 10 de maio de 2008

As vezes fico me lamentando pelos "se"(lê-se sis) da vida.
E isso me angustia. Fico dolorida de ter esses pensamentos críticos demais, com cobranças, dúvidas e lamentos. Penso em alguém nessa cidade, não me interesso. Penso ir morar em outro país, colocar outra cabeça no lugar da minha, outros pensamentos que não sejam tão meus, e outra cidade que não me traga tantas lembranças. Remexo no meu vazio, ando tão "pavio curto" com tudo isso. Quero gritar, me falta voz, penso em chorar, mas não me vem lágrimas. Penso em alguém, para inventar situações, criar planos inusitados, mas dá branco. Então me pego denovo pensando, E se... Tem horas que incluo Deus na conversa, E se... Meu Deus. Devo está ficando muito frágil com tudo isso, e concluo no último pensamento da noite, E se isso não for fragilidade, for carência. E termino por colocar Deus denovo na conversa. Ah meu Deus...

quarta-feira, 7 de maio de 2008


"Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade. Meus amigos são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido. Dei esse exemplo meio barra pesada de me matar....esquece, posso ligar para ver o nascer do sol no Ibirapuera às cinco da manhã. Já fiz isso, inclusive."


Caio F. Abreu

"Que importa o sentido se tudo vibra?"


Alice Ruiz

segunda-feira, 5 de maio de 2008

30.setembro.2004
"...Nandinha, a gente só se acha se aquietar a mente, o coração. Não adianta fazer barulho. No barulho interior não se ouve. Pare. Fique só um tempo. Tente ficar mais com vc. Tente ouvir sua voz interior. Para isso vc tem que ficar com vc mesma. Não adianta correr, a maturidade vem na hora certa. Mas é preciso ir se conhecendo devagar..."

Re-leio;
Re-começo;
E leio novamente com novos olhos.

Para uma Segunda-Feira cinzenta!



"...Eu não procurei, não insisti. Contive tudo dentro de mim até que houvesse um movimento qualquer de aceitação. Quando houve, cedi. A sua cabeça pesava no meu braço. Ele estava bêbado? Estava cansado? Eu era apenas um braço onde ele debruçava a sua exaustão? Ele se indagava se eu o recebia como receberia qualquer cansaço humano ou sabia que eu estava tenso, na espreita, dilacerado? Os outros dois dançavam no meio da sala. Não viam ou não queria, ver ou não havia nada para ver? O corpo de Lídia era tudo como uma flecha. Aquele contato era premeditado ou ocasional?As indagações pesavam sem resposta, e numa lucidez desesperada eu num repente assimilava todos os detalhes, dissecava o que acontecia em tomo como se tivesse mil olhos, envelhecia como a noite lá fora, virando madrugada, a luz fraca -eu tudo compreendia, tudo sabia. Menos aquela cabeça pesando no meu braço. Que espécie de busca o levara àquele gesto? Me quebrava por dentro, a cabeça afundando cada vez mais no meu corpo, eu negava, fugia, tenso, o cigarro morto nas mãos, a cinza caindo s'obre o tapete
...
Alguma coisa morria em mim naquela procura de meta inatingível, desconhecida -e num tempo mesmo algo nascia de repente, puxado não sei de que desvão, de que sombra oculta, de que arca fechada, coberta de poeira, abriam-se portas em mim, janelas quebravam, estilhaços saltavam, pedaços de vidro me cortavam sem piedade, já não via a noite, o dia, o tempo, o espaço onde estávamos, vagávamos no cosmos ou estávamos presos numa esfera conhecida? eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror
...
Ninguém me procurou? Não. Ninguém. Aperta o botão do elevador. Pelo corredor vai desabotoando a camisa, tira o paletó, a gravata, afrouxa o cinto. Abre a porta. Espia, os olhos meio estrábicos no medo de ver o bilhete que não existe sobre o assoalho vazio. Joga as roupas numa cadeira. Apóia o corpo na janela. Acende um cigarro. Espia a rua, as pessoas, a noite que se cumpre mais uma vez. Liga o rádio. Não ouve a música. Os olhos se turvam, por dentro uma coisa aperta num jeito de quem estrangula. Não pode gritar. As paredes se dobram, fremem, prenhes de ironia.Suspira. Exausto.Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido -e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tUdo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto..."
Caio Fernando Abreu
INVENTÁRIO DO IR-REMEDIÁVEL

quinta-feira, 1 de maio de 2008


Em alguma mesa de bar...

-Ela não está aqui.
-Você também não está.
-Venho tentando andar distraido
-Tem pensado tanto em não direcionar as coisas que acaba direcionando todas.
-Procuro um par de sapatos que me caiba.
-Ande descalço.
-Ninguém dessa cidade me interessa.
-Se relaxar, interessa.Menos seletividade.
-Tenho tantos traumas e medo.
-Você tem mais expectativas que traumas e medo.
-Nem tudo é perfeito, é isso, né?!
-Pode ser. Também tenho expectativas.
(Silêncio)
-Também tenho expectativas. Tenho uma expectativa engasgada em relação a você.
(Silêncio novamente, agora um silêcio encabulado)
-Posso te beijar.
-Sem perguntas. Procure a resposta sem perguntar.
...
-Estávamos distraídos?
-Vou te beijar denovo!


F.A.P

Shut Your Eyes


"Shut your eyes and think of somewhere
Somewhere cold and caked in snow
By the fire we break the quiet
Learn to wear each other well

And when the worrying starts to hurt
and the world feels like graves of dirt
Just close your eyes until
you can imagine this place, you're our secret space at will

Shut your eyes, I spin the big chair
And you'll feel dizzy, light, and free
And falling gently on the cushion
You can come and sing to me "


Snow Patrol