quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sei lá

Não consigo mais aprofundar certas relações, penso, não quero mais ir fundo com as pessoas. As vezes o fundo é um lugar frio e sujo.A movimentação acontece, finjo seguir, mas não, não quero alcançá-la. Seletividade com quem vamos partilhar nossos momentos, preciso aprender, seletividade de companhias.
Misantropismo puro!! Puro abuso...

domingo, 10 de agosto de 2008


"...E voltarei pra você depois que o dia amanhecer

Pra te beijar e te dar aquilo que eu já prometi

Agora em tempo pense em nós, em coisas que ainda nem são

A mente obriga e o corpo faz pra distrair os sentimentos

E no momento da emoção a gente grita e o prédio cai

Pra construir desilusões e evitar o entra e sai
Sentimento que vem, ruidoso demais

É um beco apertado e sem comida

Sem você já não sou, amor, nem vida

Sem você já não há outra saída

Sem você já não sou, amor, nem vida

Sem você já não há outra saída..."
Martinália. Beco
Sem destino, porém...

sábado, 9 de agosto de 2008




(...) As pessoas falam coisas, E por trás do que falam há o que sentem, E por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra.
Há níveis-não-formulados, camadas imperceptíveis,
Fantasias que nem sempre controlamos,
Expectativas que quase nunca se cumprem
E, sobretudo, emoções (...) Caio Fernando Abreu
Play.Vanessa da Mata. Absurdo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008



"Sempre sei, realmente. Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa - a inteira - cujo significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver - e essa pauta cada um tem - mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto: mas, fora dessa conseqüência, tudo o que eu fizer, o que o senhor fizer, o que o beltrano fizer, o que todo-o-mundo fizer, ou deixar de fazer, fica sendo falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei, escondida e vivível mas não achável, do verdadeiro viver: que para cada pessoa, sua continuação, já foi projetada, como o que se põe, em teatro, para cada representador - sua parte, que antes já foi inventada, num papel..."


João Guimarães Rosa

Grande Sertão: Veredas

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Muitos me magoaram, a maioria perdooei ... Isso me tira a culpa de sempre apostar alto nas pessoas, que o ser humano nem sempre é humano e nos trazem surpresas desagradáveis nessa jornada. Mas ainda não consigo tirar um gostinho de veneno quando vejo um deles no chão. Então , paro, me perdôo e penso, também sou humana, ora...
... ninguém nasce sem prenda para pagar...

domingo, 3 de agosto de 2008

Sugestões para atravessar agosto...

".Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante:ir, sobretudo, em frente.Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem:qualquer problema , real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos- ou precauções-úteis a todos. O mais difícil:evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão completamente quanto possível(santo ZAP!):FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, oseu dentista. emoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco meimporta ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:."
Caio Fernando Abreu
(crônica escrita em AGOSTO de 1995, O ESTADO DE SÃO PAULO)

sábado, 2 de agosto de 2008

ANSIEDADE...
Viver novo momento... repirar novos ares... Colocando tudo em jogo, ousando, arriscando... tentando sempre...
Nunca desejei tanto uma segunda feira...