sexta-feira, 27 de junho de 2008

"Vivem em nós inúmeros
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente,
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Doque sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem sei: eu escrevo."


Fernando Pessoa

quarta-feira, 25 de junho de 2008


"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado"

terça-feira, 17 de junho de 2008

Adquirir experiência,
aprendendo que desistir é humano
e recomeçar mais ainda.
O ócio faz parte dos dias,
a cabeça de vez em quando não trabalha, só atrapalha.



...Esperando agosto para começar, re-começar.
Medo e ansiedade.
Medo e alegria...

Mistura de sentimentos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Juntar teu corpo
meu corpo
num corpo só.


(Maria Rita - Num corpo só)

quarta-feira, 11 de junho de 2008




"Arrodeava" com as palavras, falava do seu momento e todas expectativas.
Alguns minutos antes em um sofá, sentia frio na barriga, mas gostava de brincar com essas sensações que vinham, achando interessante ficar só nessa brincandeira com egos ,a priori.
Não tomou partido algum, continuava só com os olhares, sorrisos envergonhados e atitudes que sempre confudem(ambíguas).

sexta-feira, 6 de junho de 2008



Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.
Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo.
Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?
Como alguém que, de muito alto, tente distinguir as vidas do vale, eu assim mesmo me contemplo de um cimo, e sou, com tudo, uma paisagem indistinta e confusa.
É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.
Sou como alguém que procura ao acaso, não sabendo onde foi oculto o objeto que lhe não disseram o que é. Jogamos às escondidas com ninguém.
Há, algures, um subterfúgio transcendente, uma divindade fluida e só ouvida.
(...)


Fernando Pessoa. O livro do desassossego.