Tenho esquecido de como era com você. Se ficava tímida ou falante. A noite era longa ou tínhamos sempre pouco tempo? Tenho esquecido de como era com você. Se foi por acaso ou se havia esperado muito .E após longos anos,me assusto com o próximo passo.Como serei sem ter você guardado em mim?
Esqueci de como era com você.
E tenho medo.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
"... Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento - aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas..."
Sem Ana,Blues. Os dragões não conhecem o paraíso. Caio Fernando Abreu.
No play . Mariana Aydar. Onde está você.
domingo, 12 de abril de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
Não sei por onde seguir, vou na seguindo na direção mais confortável, mas isso não é o bastante. Esqueço do que é preciso para ir além. E paro suspirando, segue outro passo e suspiro, alivio. Mas isso não é o bastante para tirar a angústia do peito. O bastante seria ir além, e ir além eu ainda não consegui aprender.Ainda.
[no play: Malu Magalhães (porque não, né?! rs)-J1.]
[no play: Malu Magalhães (porque não, né?! rs)-J1.]
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