
"O que a memória amou fica eterno" Adélia Prado
Chegou na sala daquela casa que a pouco era praticamente sua casa, era dia do aniversário dele e muitas lembranças sussurravam em seu ouvido. Ele caminhando na sua direção e seu perfume chegara antes, sentiu sua alma tonta com tantas lembranças, mas de praxe preferiu fazer uma piada e fingir está tudo bem.
- Parabéns Birro! (passaram 10 segundos de silêncio e uma eternidade de recordações, ela não acreditava que havia chamado pelo apelido!)
- Obrigada, vem, senta aqui com todo mundo. Nem precisa pedir, já sei, uma cerveja e o cinzeiro?!
- Estou tentando parar de fumar.
- Que bom. Já volto.
Há muito havia deixado adormercer seu sentimento por quem trouxe tanta vida e alegria a ela. Até quando iria ser constrangedor e assustador o re-encontro dos dois. Surgiam hipóteses, o constrangimento e tudo enfim seria porque ainda tinha algum sentimento, ou isso sempre vai acontecer quando se ama por tanto tempo alguém. Prefirou trocar esse pensamento por outros mais banais,será se tenho médico amanhã? deixo para hidratar meu cabelo antes de dormir? ou durmo com ele seco.
Acendeu o cigarro, sempre gostou do cigarro nessas ocasiões, achava que ele ocupava mão e boca, assim ficaria quieta por mais alguns instantes. Ele a olhou com o sorriso de canto que sempre a olhava e aquela piscadinha de olho básica, dizendo através de seus gestos, te conheço, sabia que você ia fumar hoje.
- É Birro,(ai céus , ela pensava, não consigo chamar pelo nome! no mesmo momento apoia a mão na perna dele) não resisti ao cigarro.
- Ocupa a mão e a boca(dizia ele, com a frase típica dela quando chegava nos locais e sentia-se insegura).
- Pois é(tentando iniciar algum assunto).
- Estou pensando, já que amanhã é feriado, em ir naquela praia que você tanto me falava.
- Ai que ótimo(Agora ele vai a praia que tanto pensei em levá-lo,falava a si) Você vai adorar.
Nesse momento chegam mais alguns convidados ele sai para cumprimentar-los ,ela aproveita e faz saída "à francesa". Mas antes foi ao banheiro, parou no corredor observou o quarto dele remexendo na memória,deixou cairem algumas lágrimas, lavou rosto e a mão, colocou um pouco do perfume dele no lenço dentro da bolsa.E partiu.
Partiu falando a si que iria se permitir somente sofrer aquela noite, e amanhã já sabendo que iria acordar novamente "com o friozinho de montanha russa" , seria outro dia.
E foi!
[Fernanda Andrade Pacheco]
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