Ela acordou, dia estava frio, seus pés congelaram assim que os colocou no chão, procurou sua sandália, e foi ao banheiro se vestir. Depois de vestida, olhou para aquele quarto e quis guardar na memória, pois sabia que não iria mais lá. Deu um beijo na testa dele, disse para ele se cuidar. Fechou a porta do quarto com cuidado para não fazer mais barulho do que fora feito no dia anterior. Decidiu voltar, olhou mais um pouco para ele, relembrou histórias, brigas, risos e silêncios compartilhados, deu mais um beijo e saiu. Saiu da sua vida como um filme que acaba sem final.
“Ficar bem nem sempre deixa outras opções. É estranho quando as coisas simplesmente têm de terminar. É o estágio onde todos os sentimentos já evoluíram para um nada. É o nada que você optou para parar de sentir dor. No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se… Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser. Talvez os amores eternos sejam amenos e os intensos, passageiros. É isso.”
Caio Fernando Abreu

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