é, essa é mais uma das tantas cartas que não irei te enviar. Tenho tendado compreender o teu não gostar mais de mim, dia após dia, música após música, sonhos após sonhos. Você tão cheio de si e firme em sua decisão, e eu, tão menina que ainda espero você, sem nem mesmo saber o que sinto nesse momento. Espero, todavia, por não saber o que fazer como todos os planos construídos, todo aquele tempo cheio de nós dois. Ali, na minha percepção, parecia uma melodia infinita, mas, outro dia lendo rabiscos, vi que minha intuição ganhou nessa batalha toda. Você com essa cara de menino, teve uma atitude exatamente igual a sua cara, imatura, duas decisões distintas perante a mim, o começo e o fim. Será se não percebeu que sou frágil, e minha fragilidade em você estava diante de todos os planos que construía. Sempre notei que éramos diferentes, não só no gosto para "as coisas da vida", como também em essência e entrega. Você quando se apaixona recua, e eu procuro cair no abismo chamado amor. Tenho um calendário contando os dias que estou sem você, o que passa em minha cabeça, as pessoas que passam por mim, impressões e desapegos. Você nunca me mereceu, sei que sou e estou além de você. Não queira dizer que estou me exaltando nesse momento, ou me colocando em pedestal. Simplesmente percebi, que não sou eu que mereço passar por isso tudo, mas é você quem nunca mereceu uma menina, com entrega de mulher, na sua vida.
E é por isso que não te enviarei essa carta, pois hoje, melhor, pois só por hoje, resolvo me amar um pouco mais. E só por hoje não irei te procurar, e sou rio, e sorrio,
com desamor,
Fernanda Andrade Pacheco.